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Comments

Tereza (Bruxelas)

Se eu nao me engano ele fez isso ontem, porque eu ouvi uma francesa dizendo, boquiaberta, que ele tinha falado inglês, francês e italiano numa reuniao. Sei nao, viu, cada um puxando brasa pra sua sardinha, nessas instituçoes. Como se nao houvesse coisa mais importante.

João

Já agora, alguém viu alguma vez o anterior presidente da Comissão Europeia, o italiano Roman Prodi, falar português? Questões de lana caprina quando nos céus soam os sinos de alarme dos dinheiros públicos mal-gastos (lembrando um poema de Rimbaut, em tradução mais do que livre...)

Maura

O "X" da questão nessa história toda está no fato de que a língua é considerada por todos os povos como o seu maior patrimônio. Ao rebaixar o italiano e o espanhol, e promover o alemão para o posto de "língua de trabalho" - sem aviso prévio - Durão cometeu um erro diplomático grave.

Itália e Espanha estão exercendo seu direito de defender com unhas e dentes o único patrimônio que resta a cada país da UE. Seu idioma, sua linguagem, em resumo, sua cultura. E com essa agitação toda, os dois países mostram o enorme, o gigantesco peso político que um idioma possui. A troca destes dois idiomas pelo alemão não pode mesmo ser considerada irrelevante por estes países. Nem por ninguém.

Já vi muitos comentários encrespados e agitados aqui mesmo quando se trata de "defender" o português europeu perante os falantes do português brasileiro. Agora, quando são os outros é frescura, bobagem, irrelevante.

Arre...

E tem mais:

"Eu sou eu mesmo a minha pátria. A pátria de que falo é a língua em que por acaso de gerações nasci..."
- Jorge de Sena


"Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. MINHA PÁTRIA É A LÍNGUA PORTUGUESA. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse."
- Fernando Pessoa

Guilherme

Maura,

Com todo respeito ao mestre Pessoa a minha modesta (e séria) proposta é eliminar dos trâmites burocráticos da União Européia TODAS as línguas nacionais e adotar o Esperanto. Porque União tem que ser pra valer!

Tereza (Bruxelas)

É verdade que a lingua é tudo. Eu fico irritadíssima quando um português insinua que eu nao falo português, como se a língua falada no Brasil fosse um lixo. Mas no caso das Instituçoes européias o negócio é diferente. A maioria do povo dos novos paises membros da UE fala inglês mas também reclama porque não há interpretação pra a língua deles. É preciso um acordo. Tenho a impressão que quase todo funcionário europeu que mora em Bruxelas, por exemplo, fala francês e tenho certeza que todo mundo fala inglês. Acho justo que essas duas línguas sejam consideradas como língua de trabalho. O que eu nao entendo é esse lance do alemão.
O negócio nao é privilegiar uma língua mas as línguas que a maioria fala. Isso evita demora nas traduçoes e facilita muita coisa. Desta vez até que eu fico do lado do Durão Barroso.

Guilherme

Ah, Tereza...

Se é esse o teu ponto de vista, achei que você fosse ficar do meu lado...

Tereza (Bruxelas)

Gui, adotar o esperando seria uma boa coisa pra tudo o que é international, mas nao sei quantas pessoas sabem se comunicar em esperanto. Por que nao? Nao conheço bem o assunto.
Acabei de ler que o alemao é mais falado na Europa que o francês e que o italiano possui tantos falantes nativos como o francês, sendo que "a proporção de falantes não nativos é significativamente menor (2%)". O assunto vai além do que eu pensava...

Maura

Adotar o esperanto é uma idéia utópica. Só poderia ser considerada a sério se o esperanto fosse realmente uma "lingua franca" (um idioma usado como meio de comunicação entre pessoas que não possuem um idioma nativo em comum) ou seja, ocupasse o lugar no mundo que já foi do francês e que hoje pertence ao inglês (pelo menos como língua comercial).

E o alemão é mais falado na Europa do que o francês pelo simples fato de que a Alemanha possui o dobro de indivíduos (sem juntar Áustria e Suíça) do que a França. O que não significa que seja mais importante como "língua de trabalho" do que o francês, que ainda é a "língua da diplomacia". Tenho certeza de que todos os funcionários alemães/austríacos (e os suíços com certeza) falam francês ou inglês. Já não tenho tanta certeza de que os funcionários da UE que falam outros idiomas têm o alemão como segunda língua.

A decisão de DB é política e tentou passar disfarçada de "redução de custos".

Guilherme

Vamos lá, meninas (estou sendo engraçadinho e não machista):

Tereza,

Eu acho que são um pouco mais de um milhão de pessoas, mas é uma língua relativamente fácil de aprender, e o mais importante é que tem um pouco de tudo, não é de ninguém. Então ninguém pode ficar com dor de cotovelo porque se está usando a língua desse ou daquele...

Maura,

A UE também surgiu de uma idéia utópica. No mais recente (e último, pq do jeito que está a coisa eles se estranham mas não se refregam mais...) pós-guerra, quando foi sugerido que Alemanha e França se unissem, muita gente riu.
Realmente o DB pisou na bola, foi uma decisão puramente política e é justamente esse tipo de política, de agradar uns em detrimento de outros, que impede a adoção do Esperanto pela UE...

Miguel RM

O assunto das línguas oficiais da UE não é simples, mas há que distinguir o que é a lei - Regulamento nº1 das Comunidades Europeias, de 1956, que consagra as línguas oficiais, actualmente 20 - das modalidades práticas de funcionamento. A Comissão, que tem poderes executivos análogos aos de um governo, não poderia funcionar se aplicasse um regime de 20 línguas "puro". É normal que opte, no seu dia-a-dia, pelas línguas mais divulgadas enquanto línguas de comunicação internacional. O mais simples e prático seria optar pelo inglês, opção óbvia em muitas outras áreas de actividade. No entanto, até aos anos 70, o francês foi a língua veicular nas instituições europeias e a França tem uma política de defesa do estatuto do francês (uma espécie de linha Maginot, em matéria de geo-estratégia cultural). Não nos podemos também esquecer que o espanhol se tem vindo a tornar uam língua de comunicação internacional de primeira importância, sendo óbvio que irá ultrapassar, em termos geo-estratégicos, o francês. Assim, a conclusão óbvia talvez seja optar no dia-a-dia por uma língua como o inglês, a par duma língua latina (actualmente o francês, no futuro talvez o espanhol). Quanto ao alemão, trata-se doutro peso da história: a Alemanha conseguiu ao longo dos anos um estatuto de equiparação (em importância relativa) ao francês e agarra-se a esse estatuto com unhas e dentes.
Nada disto obsta a que a legislação seja publicada nas 20 línguas, os debates no Paralmento Europeu tenham tradução em 20 línguas, etc.

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